Braquiterapia para Câncer de Colo de Útero: O Que É, Como Funciona e Quando Usar

Postado em: 20/10/2025

O câncer de colo de útero ainda é uma das principais causas de mortalidade oncológica em mulheres no Brasil, especialmente quando diagnosticado em estágios avançados. Felizmente, avanços na oncologia e na radio-oncologia permitem que muitas pacientes tenham acesso a terapias eficazes, capazes de controlar a doença e preservar qualidade de vida. Entre essas terapias está a Braquiterapia para Câncer de Colo de Útero, um tratamento altamente direcionado e fundamental para os melhores resultados em tumores ginecológicos.

Se você ou alguém próximo recebeu o diagnóstico de câncer de colo de útero, entender como funciona a braquiterapia, quando ela é indicada e quais são os cuidados necessários pode trazer mais segurança no processo de decisão. 

A seguir, explicamos esse tratamento em detalhes!

O que é a braquiterapia?

A braquiterapia é uma modalidade de radioterapia que consiste na colocação de fontes radioativas muito próximas ou dentro do tumor. 

Diferente da radioterapia externa, que direciona feixes de radiação de fora para dentro do corpo, a braquiterapia atua de forma interna e localizada, oferecendo uma dose mais concentrada diretamente no tumor e poupando ao máximo os tecidos saudáveis ao redor.

No câncer de colo de útero, esse tratamento é considerado essencial porque a radiação age de maneira precisa no colo uterino e nas áreas de risco imediato de recidiva, aumentando significativamente as chances de controle local da doença.

Como funciona a braquiterapia para câncer de colo de útero?

Durante o procedimento, aplicadores especiais são posicionados no colo do útero e, por meio deles, pequenas fontes de radiação são inseridas por um período de tempo controlado. 

O planejamento é feito com exames de imagem de alta precisão, como ressonância magnética ou tomografia computadorizada, garantindo que a dose de radiação atinja exatamente as regiões necessárias.

Esse tratamento geralmente é realizado em associação à radioterapia externa. O protocolo mais comum envolve sessões de radioterapia externa na pelve, seguidas da braquiterapia, que “complementa” a dose diretamente no colo do útero. 

Essa combinação aumenta o índice de cura, principalmente em tumores localmente avançados.

Qual a diferença entre braquiterapia e radioterapia externa?

Embora ambas utilizem radiação ionizante, a diferença fundamental está na forma como a radiação é administrada. 

A radioterapia externa irradia uma área maior, englobando não só o colo do útero, mas também linfonodos e tecidos adjacentes que podem conter células tumorais microscópicas. 

Já a braquiterapia concentra a dose no tumor, alcançando níveis de radiação que seriam impossíveis de administrar com segurança pela via externa. Essa combinação é considerada padrão ouro pelas diretrizes internacionais, por garantir maior eficácia no tratamento e menor toxicidade em longo prazo.

Quando é indicada a braquiterapia para câncer de colo de útero?

A braquiterapia para câncer de colo de útero é parte essencial do tratamento curativo dos tumores localmente avançados (geralmente ≥ IB2), após a radioterapia externa com quimioterapia. Ela também pode ser utilizada em situações de recidiva tumoral restrita à pelve, como opção de resgate

Nos casos iniciais tratados cirurgicamente, a braquiterapia pode não ser necessária, sendo reservada a situações específicas em que há risco aumentado de recidiva. Já nos tumores avançados, a ausência de braquiterapia está diretamente associada à redução das taxas de cura, o que reforça sua importância no tratamento.

O padrão ouro atualmente em termos de técnica é a chamada braquiterapia guiada por imagem/3D (IGABT), onde o planejamento é feito com TC ou RM para desenhar o alvo (HR-CTV) e proteger os órgãos vizinhos. 

Além disso, a braquiterapia pode ser realizada de forma intersticial ou intracavitária, e esta escolha depende do volume tumoral, resposta após radioterapia externa e anatomia da paciente. 

A intracavitária é indicada quando a doença fica restrita ao colo e pode ser coberta por tandem-anel/ovoides. Indica-se a intersticial (ou técnica híbrida IC/IS) quando há tumor volumoso, extensão parametrial/lateral, acometimento vaginal baixo ou anatomia que impeça cobertura adequada só com intracavitária. 

Nessa técnica, são colocadas agulhas que aumentam a cobertura de dose do tumor, garantindo maior chance de controle local e com menos efeitos colaterais. 

No Brasil, pouquíssimos centros realizam a braquiterapia mais moderna, guiada por imagem (US, RM e/ou Tomografia), com colocação de agulhas (técnica intersticial). 

Para capacitação na técnica, a Dra. Maria Thereza ficou 1 ano no Canadá, sendo treinada especificamente em Braquiterapia Ginecológica e de Próstata, sendo uma médica capaz de fazer a escolha adequada da melhor técnica e realizar a Braquiterapia com segurança e excelência

Quais podem ser os efeitos colaterais e quais cuidados são importantes?

Assim como todo tratamento oncológico, a braquiterapia para câncer de colo de útero pode causar efeitos colaterais. 

Os mais comuns incluem alterações urinárias, como ardor para urinar, que usualmente é um efeito agudo, com melhora após recuperação do tecido, diarreia ou alteração do hábito intestinal, ressecamento ou dor vaginal. 

No longo prazo, pode haver estreitamento do canal vaginal, o que é manejado com fisioterapia pélvica, uso de dilatadores e acompanhamento ginecológico.

O suporte multidisciplinar é essencial para reduzir esses impactos. Médicos, enfermeiros, fisioterapeutas, nutricionistas e psicólogos podem contribuir para que a paciente mantenha qualidade de vida durante e após o tratamento

Além disso, exames regulares e consultas de seguimento permitem monitorar possíveis efeitos tardios e atuar precocemente.

Perguntas frequentes

A braquiterapia dói?

O procedimento pode causar desconforto, mas geralmente é realizado com anestesia ou sedação, o que torna a experiência suportável.

Quantas sessões de braquiterapia são necessárias?

O número pode variar conforme protocolo escolhido, mas em média são realizadas de 3 a 5 aplicações.

Quanto tempo dura cada sessão?

Cada aplicação pode durar entre 30 minutos a algumas horas (aproximadamente 2 horas), dependendo da complexidade do caso.

É necessário internação?

Na maioria dos casos, o tratamento é feito em regime ambulatorial, permitindo que a paciente retorne para casa no mesmo dia.

A braquiterapia substitui a cirurgia?

Não. Em casos avançados, ela complementa a radioterapia externa; em casos iniciais, a cirurgia pode ser suficiente.

A radiação usada na braquiterapia é perigosa para familiares?

Não. A radiação atua apenas durante o procedimento, e não há risco de exposição para pessoas próximas.

Quais são as chances de cura?

Com a combinação adequada de radioterapia externa e braquiterapia, as taxas de controle da doença são altas, com dados mais precisos variando por estágio da doença. 

Posso ter relações sexuais após a braquiterapia?

Sim — depois da braquiterapia você pode voltar a ter relações, mas é importante esperar a cicatrização local

O usual é aguardar 4 a 6 semanas após o término do tratamento (se houve rádio externa junto, às vezes são indicadas de 6 a 8 semanas). Depois disso, a atividade sexual é incentivada, porque ajuda a prevenir o estreitamento vaginal.

Dicas práticas e sinais de alerta incluem:

  • Comece devagar: use lubrificante à base de água, escolha posições confortáveis e aumente a intensidade aos poucos.
  • Dilatadores são recomendados e a frequência/orientações são fornecidas durante a consulta. 
  • Procure seu médico se tiver dor intensa persistente, sangramento vivo, febre, mau cheiro ou corrimento incomum.

Sempre siga as orientações específicas da sua equipe:  eles conhecem os detalhes do seu caso e do seu protocolo.

Em Belo Horizonte, a Dra. Maria Thereza Mansur Starling alia excelência técnica, acolhimento e formação internacional em braquiterapia prostática e ginecológica para oferecer o atendimento cuidadoso, dedicado e especializado que as pacientes merecem. 

Se você recebeu indicação de braquiterapia para câncer de colo de útero, agende uma consulta e venha conversar!

 

Dra. Maria Thereza Starling

Rádio-Oncologista

CRM SP-186315 | RQE 99118

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Dra. Maria Thereza Starling
CRM: 186315/SP
RQE: 99118 – Radioterapia


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