Braquiterapia ginecológica: etapas do tratamento e o que esperar
Postado em: 19/01/2026

A braquiterapia ginecológica é uma das técnicas mais avançadas da radioterapia moderna, utilizada no tratamento de tumores do colo do útero e endométrio após a cirurgia.
Ao direcionar a radiação diretamente na região tumoral ou leito cirúrgico, o método permite doses elevadas e precisas, reduzindo a exposição de órgãos e tecidos saudáveis.
Com tecnologia segura e resultados comprovados, a braquiterapia é parte fundamental da radioterapia ginecológica, proporcionando melhor controle da doença e preservação funcional.
A seguir, saiba como o tratamento é realizado, suas principais indicações, benefícios e as dúvidas mais frequentes sobre essa abordagem da radioterapia oncológica.
O que é a braquiterapia ginecológica?
A braquiterapia ginecológica é uma forma de radioterapia interna em que pequenas fontes radioativas temporárias são posicionadas dentro ou próximas ao tumor — geralmente no colo do útero, útero ou vagina.
O equipamento afterloader controla essas fontes, liberando radiação por alguns minutos e recolhendo-as com total segurança, sem deixar material no corpo da paciente.
Por atuar diretamente sobre o tumor, a técnica administra altas doses de radiação com precisão milimétrica, poupando bexiga, reto e intestino, sendo indispensável no tratamento dos cânceres ginecológicos localmente avançados.
Para quais tumores a braquiterapia é indicada?
A braquiterapia ginecológica tem papel central nas diretrizes internacionais de radioterapia, atuando tanto no tratamento curativo quanto no controle de recidivas.
Câncer de colo do útero
Etapa essencial do tratamento curativo, realizada após a radioterapia externa e quimioterapia. Essa combinação aumenta o controle local e as taxas de cura e é o padrão de tratamento, não podendo ser omitida.
Em termos práticos, ela é indicada em doenças localmente avançadas e também em alguns casos iniciais em que se escolhe radioterapia como tratamento principal.
A braquiterapia é fundamental porque ela consegue “encostar” a radiação no alvo, atingindo o colo do útero e áreas de risco com precisão, ao mesmo tempo que consegue poupar mais bexiga e reto do que seria possível com dose equivalente só com radioterapia externa. Além disso, o plano é adaptado ao seu corpo e ao tumor, especialmente quando o serviço utiliza planejamento por imagem (tomografia e, idealmente, ressonância).
Em linguagem simples: a braquiterapia é a forma mais segura e eficaz de “finalizar” a dose onde ela realmente precisa estar.
A braquiterapia de colo uterino pode ser feita de duas formas, sendo a indicação definida pelo Radio-Oncologista especialista em Radioterapia e Braquiterapia, como a Dra. Maria Thereza.
- Intracavitária (mais comum): aplicadores são posicionados no canal do colo e na vagina para tratar o colo do útero com alta precisão.
- Intersticial (quando necessário): além do aplicador, podem ser usadas agulhas finas para alcançar melhor tumores maiores, assimétricos ou com extensão para paramétrios/vagina, sempre com controle por imagem.
Câncer de endométrio
Indicada após a histerectomia para prevenir recidivas na cúpula vaginal, região de maior risco de retorno do tumor.
Quando a cirurgia não é possível ou em casos de recidiva, pode ser usada como terapia principal, isoladamente ou em combinação com radioterapia externa.
Recidivas pélvicas ou vaginais
Permite reirradiação localizada e segura, mesmo em áreas previamente tratadas, sem exceder os limites de tolerância dos órgãos vizinhos.
Tipos de braquiterapia ginecológica
Existem duas modalidades principais de braquiterapia ginecológica, definidas de acordo com o tipo de tumor e as características anatômicas da paciente.
Braquiterapia intracavitária
Envolve o posicionamento de aplicadores na vagina e, quando necessário, no útero.
O planejamento por tomografia computadorizada ou ressonância magnética garante precisão na dose e segurança no procedimento. É o método padrão para cânceres de colo do útero e endométrio.
Braquiterapia intersticial
Recomendada para tumores volumosos, irregulares ou recidivados, utiliza agulhas inseridas no tecido tumoral, permitindo moldar o campo de radiação conforme o formato da lesão. É o padrão se escolha em casos localmente avançados, sendo associada a ganho de controle local e menor toxicidade comparada à técnica intracavitária isolada.
Como é feito o procedimento?
O tratamento inicia com avaliação detalhada da radio-oncologista, que define um plano individualizado, o tipo de braquiterapia e o número de sessões.
O procedimento é realizado em centro cirúrgico, sob sedação ou raquianestesia, garantindo conforto e imobilidade. Após o posicionamento dos aplicadores ou agulhas, são feitos exames de imagem tridimensionais (TC e/ou RM) para planejar a distribuição da dose, protegendo órgãos como bexiga e reto.
O afterloader conduz a fonte radioativa até o local exato do tratamento e a retira automaticamente ao final, sem deixar material radioativo no corpo.
O número de sessões varia entre três e cinco aplicações, com intervalos de alguns dias, conforme o protocolo de cada paciente.
Benefícios da braquiterapia ginecológica
A braquiterapia ginecológica alia eficácia oncológica e preservação funcional, sendo uma das técnicas mais precisas e seguras da radioterapia moderna.
Principais benefícios
- Direcionamento exato da radiação: concentra a dose no tumor, reduzindo a exposição de tecidos e órgãos saudáveis;
- Tratamentos mais curtos: sessões rápidas e protocolos reduzidos, com alta eficácia;
- Maior controle local: melhora as taxas de cura em tumores de colo do útero e endométrio;
- Possibilidade de tratamento: permite reirradiação em casos de recidiva localizada;
- Reconhecimento internacional: considerada padrão mundial em centros oncológicos de referência.
Efeitos colaterais e cuidados durante o tratamento
A braquiterapia ginecológica é bem tolerada. Os efeitos colaterais mais comuns incluem desconforto pélvico, corrimento vaginal e ardência urinária, sintomas leves que desaparecem em poucos dias com repouso, hidratação e analgésicos simples.
A longo prazo, podem ocorrer ressecamento vaginal ou redução da lubrificação, preveníveis com o uso de dilatadores, lubrificantes íntimos e também acompanhamento médico regular.

O que esperar ao longo do tratamento
Durante o tratamento, a paciente comparece ao hospital para sessões de curta duração, com alta no mesmo dia.
É recomendável ter um acompanhante e manter repouso leve nas primeiras 24 horas. Atividades diárias podem ser retomadas rapidamente, mas exercícios intensos e relações sexuais devem aguardar liberação médica.
A comunicação constante com a equipe de radioterapia é necessária para ajustar condutas e garantir uma experiência tranquila e segura.
Dúvidas frequentes sobre braquiterapia ginecológica
Veja a seguir respostas diretas às principais perguntas sobre a braquiterapia ginecológica.
A braquiterapia é feita em hospital ou clínica ambulatorial?
O procedimento ocorre em centro cirúrgico hospitalar, pois requer sedação e suporte da equipe multidisciplinar.
Quanto tempo dura cada sessão?
Cada inserção leva em média 1 hora, com a realização de imagem (TC e/ou RM) e planejamento posteriormente (delineamento e planejamento físico).
É necessário preparo antes do procedimento?
Sim. A paciente deve seguir as orientações da equipe médica, que podem incluir jejum, uso de laxantes e suspensão temporária de medicamentos.
Seu tratamento começa com informação e acolhimento
Se você tem diagnóstico de câncer ginecológico e deseja saber se a braquiterapia ginecológica é indicada para o seu caso, agende hoje mesmo uma consulta com a Dra. Maria Thereza Starling.
Durante a avaliação, você receberá orientações claras e um plano terapêutico personalizado, elaborado com base nas melhores evidências em radioterapia oncológica e nas suas necessidades individuais.
Dra. Maria Thereza Starling
CRM: 186315/SP
RQE: 99118 – Radioterapia