Mitos e Verdades sobre a Radioterapia no Câncer de Próstata
Postado em: 05/06/2025
A Radioterapia é uma das opções terapêuticas mais eficazes no tratamento do câncer de próstata, especialmente em estágios iniciais e localmente avançados.

No entanto, diversos mitos e equívocos cercam esse tratamento, gerando dúvidas e receios nos pacientes.
Este artigo visa esclarecer as principais verdades e inverdades sobre a radioterapia no câncer de próstata. Convido você a continuar a leitura para saber mais!
Mito 1: a radioterapia causa náuseas e vômitos
Um dos mitos mais comuns é que a “Radioterapia” causa náuseas e vômitos.
Na realidade, esses efeitos colaterais são mais associados à radioterapia em áreas como o abdômen.
No caso da próstata, os efeitos colaterais mais frequentes incluem irritação urinária e retal, como aumento da frequência urinária, sensação de urgência (chamada de tenesmo) e alteração do hábito intestinal, que pode se manifestar como diarreia ou constipação.
Esses sintomas geralmente são temporários e manejáveis com o suporte da equipe médica.
Mito 2: a radioterapia inevitavelmente vai levar à impotência sexual
Outro equívoco é a crença de que a radioterapia sempre leva à impotência sexual.
Embora a disfunção erétil possa ocorrer, especialmente em pacientes mais velhos ou com outras comorbidades, muitos homens mantêm a função erétil após o tratamento.
A probabilidade de disfunção erétil varia de acordo com fatores individuais e o tipo de radioterapia utilizada, mas geralmente, segundo estudos comparando modalidades, a disfunção é menor que quando o câncer é tratado com cirurgia.
Técnicas modernas, como a radioterapia de intensidade modulada (IMRT) e a braquiterapia, permitem uma maior preservação das estruturas responsáveis pela função erétil.
Mito 3: a radioterapia fará o paciente ter outro tipo de câncer
Há também a preocupação de que a radioterapia aumente significativamente o risco de desenvolver outros tipos de câncer.
Embora exista um risco teórico de desenvolvimento de segundos cânceres devido à exposição à radiação, esse risco é baixo, principalmente em pacientes com mais de 70 anos. Normalmente as neoplasias radioinduzidas se desenvolvem após 20 anos do tratamento.
Os benefícios da radioterapia no controle do câncer de próstata superam amplamente esse risco potencial
Mito 4: radioterapia dói
Alguns pacientes acreditam que a radioterapia é dolorosa. Na verdade, o procedimento em si é indolor.
Durante as sessões, o paciente não sente a radiação.
Os efeitos colaterais, quando presentes, geralmente se manifestam após algumas semanas de tratamento e são gerenciáveis com intervenções médicas adequadas .
Mito 5: a radioterapia é sempre um tratamento demorado
É comum a ideia de que a radioterapia exige longos períodos de tratamento, mas isso não é verdade. Os tratamentos diários duram em torno de 10 minutos.
Embora os protocolos tradicionais envolvam sessões diárias ao longo de várias semanas, atualmente existem esquemas de tratamento mais curtos, como a radioterapia hipofracionada (em 20 sessões) ou ultra-hipofracionada (em 5 sessões), que permite a conclusão do tratamento em menos tempo, sem comprometer a eficácia .
Mito 6: a radioterapia nunca é uma opção tão eficaz quanto a cirurgia
Outro mito é que a radioterapia é menos eficaz do que a cirurgia na cura do câncer de próstata.
Estudos demonstram que, para muitos pacientes com câncer de próstata localizado, a radioterapia oferece taxas de controle da doença comparáveis às da cirurgia, com perfis de efeitos colaterais muitas vezes melhores, com menos incontinência urinária e impotência sexual.
A escolha entre cirurgia e radioterapia deve ser baseada em uma avaliação individualizada, considerando as características do tumor e as preferências do paciente .
Mito 7: não é possível realizar outro tratamento
Alguns acreditam que, após a radioterapia, não é possível realizar outros tratamentos caso o câncer retorne.
Alguns pontos importantes a serem considerados são:
- Quando o câncer retorna, na maioria dos casos isto não ocorre no local tratado, ou seja, o câncer retorna em um local distante não irradiado ou na forma de metástases.
- Menos frequentemente, quando o câncer de próstata retorna no local já irradiado, como na própria próstata, existe a opção de reirradiação com braquiterapia, que é o padrão ouro e tratamento usado nos maiores centros do mundo. Infelizmente esta prática é pouco comum no Brasil pela falta de disponibilidade da braquiterapia e pelo fato do Brasil ser mais cirúrgico nas condutas, o que não necessariamente é algo correto. A Dra. Maria Thereza fez sua especialização no Canadá em braquiterapia e tem a expertise para este tipo de tratamento.
Mito 8: a radioterapia deixará efeitos permanentes na qualidade de vida
A ideia de que a radioterapia afeta negativamente a qualidade de vida de forma permanente também é um equívoco.
Os pacientes podem manter uma boa qualidade de vida durante e após o tratamento, especialmente com o suporte de uma equipe multidisciplinar que pode incluir, por exemplo, oncologista, urologista, nutricionista e psicólogo.
Mito 9: a radioterapia é apenas para pacientes mais velhos
Por fim, há a crença de que a radioterapia é uma opção apenas para pacientes mais velhos ou com condições de saúde que impedem a cirurgia.
Na verdade, a radioterapia é uma opção viável para muitos pacientes, independentemente da idade, e pode ser escolhida com base em fatores como o estágio do câncer, preferências pessoais e considerações sobre os efeitos colaterais.
Agora você conhece melhor o tratamento com radioterapia para câncer de próstata! Espero ter ajudado a esclarecer suas dúvidas.
Se você recebeu recomendação para a abordagem radioterápica, agende uma consulta e venha conversar! Vamos juntos entender as melhores opções para o seu caso.
Dra. Maria Thereza Starling
Rádio-Oncologista
CRM SP-186315 | RQE 99118
Dra. Maria Thereza Starling
CRM: 186315/SP
RQE: 99118 – Radioterapia