O Que os Especialistas Dizem sobre a Eficácia da Radioterapia para Câncer de Pele?

Postado em: 27/06/2025

A Radioterapia é uma modalidade terapêutica amplamente empregada no tratamento do câncer de pele, especialmente quando a cirurgia não é viável ou como complemento a ela. 

 O que os especialistas dizem sobre a eficácia da radioterapia para câncer de pele

Sua eficácia tem sido respaldada por diretrizes clínicas e estudos, que destacam seu papel no controle tumoral e na preservação da qualidade de vida dos pacientes.

Este artigo aborda a eficácia da radioterapia no tratamento de diferentes tipos de câncer de pele de acordo com estudos de especialistas. Convido você a continuar a leitura para conferir!

Eficácia da radioterapia em carcinomas basocelulares e espinocelulares

Os carcinomas basocelulares (CBC) e espinocelulares (CEC) são os tipos mais comuns de câncer de pele, representando juntos mais de 90% dos casos. 

A “Radioterapia“ é frequentemente indicada para pacientes que não são candidatos à cirurgia ou quando a localização do tumor dificulta a ressecção completa. 

Estudos demonstram altas taxas de controle local com a radioterapia nestes casos. 

A radioterapia é uma alternativa eficaz ao tratamento cirúrgico, sendo especialmente indicada em pacientes idosos, com comorbidades significativas, ou quando o tumor está localizado em áreas de difícil ressecção cirúrgica — como pálpebras, nariz, orelhas, lábios e couro cabeludo — preservando função e estética. 

Também pode ser utilizada de forma adjuvante, após cirurgia com margens comprometidas ou invasão perineural.

Estudos clínicos e séries retrospectivas demonstram que a radioterapia proporciona altas taxas de controle local, com taxas variando entre 90% e 95% para CBC e 80% a 90% para CEC cutâneo, dependendo do tamanho, grau de diferenciação e extensão da lesão. 

Em CECs de alto risco, principalmente com invasão perineural ou linfovascular, a radioterapia adjuvante demonstrou reduzir taxas de recidiva local e regional e aumentar a sobrevida livre de doença, como evidenciado em diversos estudos. 

Em pacientes com CEC avançado inoperável, a radioterapia pode oferecer controle da doença e melhora de sintomas.

Além disso, a radioterapia é uma opção terapêutica consolidada em CEC mucoso (como lábios ou canal auditivo externo) e CEC metastático para linfonodos cervicais, em que é utilizada tanto com finalidade curativa quanto paliativa. Nos casos de CBCs avançados ou recidivantes, embora menos frequente, a radioterapia também tem papel no controle da dor, sangramento e ulceração. 

A escolha da técnica (feixe externo, elétrons, braquiterapia) depende da profundidade e localização da lesão, sendo essencial o planejamento individualizado para maximizar a eficácia terapêutica e minimizar efeitos colaterais.

Radioterapia no tratamento do melanoma Cutâneo

Embora o melanoma cutâneo seja tradicionalmente tratado com cirurgia como modalidade principal, a radioterapia tem um papel relevante e crescente em cenários clínicos específicos, especialmente com o avanço das terapias sistêmicas. 

A radioterapia pode ser utilizada de forma adjuvante em alguns casos, após ressecção cirúrgica, particularmente em melanomas com alto risco de recorrência local ou regional, como aqueles com invasão perineural, margens comprometidas, número elevado de linfonodos acometidos ou extracapsularidade linfonodal

O estudo ANZMTG 01.02/TROG 02.01 demonstrou que a radioterapia adjuvante reduziu significativamente a taxa de recidiva linfonodal regional, especialmente em áreas como cabeça e pescoço, embora sem impacto na sobrevida global. 

É importante destacar que este estudo é de uma era pré-imunoterapia e que a indicação atual da radioterapia neste cenário deve ser individualizada. 

Além do contexto adjuvante, a radioterapia tem ganhado destaque como modalidade combinada com imunoterapia em melanomas metastáticos. 

Quando usada em conjunto com agentes imunoterápicos (como anti-PD-1 ou anti-CTLA-4), a radioterapia pode potencializar a resposta imune sistêmica, fenômeno conhecido como efeito abscopal, em que a regressão tumoral ocorre em locais não irradiados. 

Embora ainda sob investigação em ensaios clínicos, há relatos de respostas completas duradouras quando essa combinação é aplicada de forma estratégica. A sinergia entre imunoterapia e radioterapia também pode ser aproveitada em protocolos de SBRT (radioterapia estereotática corporal) para doença oligometastática.

Em melanoma metastático, especialmente com metástases em sistema nervoso central, a radiocirurgia estereotática (SRS), quando bem indicada, é uma excelente arma terapêutica, oferecendo altas taxas de controle local (>85%) com baixo risco de toxicidade. 

A SRS pode ser indicada tanto para metástases únicas quanto múltiplas (usualmente menos que 10 metástases), principalmente quando o paciente tem bom desempenho funcional e as lesões são pequenas e bem localizadas. Já em metástases extracranianas, como pulmonares, hepáticas ou ósseas, a SBRT tem sido utilizada com sucesso para controle locorregional, com resposta completa em uma parcela dos pacientes e prolongamento da sobrevida livre de progressão

Esses avanços consolidam a radioterapia como uma ferramenta fundamental dentro do manejo multimodal do melanoma, especialmente nas formas localmente avançadas ou metastáticas.

Avanços tecnológicos e abordagens inovadoras

A evolução das técnicas radioterápicas tem contribuído para aumentar a eficácia do tratamento e reduzir os efeitos colaterais. 

Técnicas como a radioterapia de feixe de elétrons e a braquiterapia de alta taxa de dose permitem uma entrega precisa da radiação, minimizando danos aos tecidos saudáveis adjacentes.

A braquiterapia, por exemplo, tem se mostrado eficaz no tratamento de cânceres de pele em áreas sensíveis, como o rosto. Estudos reportam taxas de cura entre 96% e 98%, com 90% dos casos alcançando excelentes resultados cosméticos.

Diretrizes clínicas e recomendações

As diretrizes da National Comprehensive Cancer Network (NCCN) reconhecem a radioterapia como uma opção terapêutica eficaz para o câncer de pele, especialmente em pacientes com alto risco de recorrência ou quando a cirurgia não é indicada.

Outras instituições também incorporam a radioterapia em seus protocolos de tratamento para cânceres cutâneos, destacando sua importância no manejo multidisciplinar da doença.

A radioterapia é uma ferramenta terapêutica eficaz no tratamento do câncer de pele, com evidências sólidas respaldando seu uso em diferentes contextos clínicos. Seja como tratamento primário, adjuvante ou paliativo, ela oferece altas taxas de controle tumoral e preservação da função e estética, especialmente em áreas anatômicas complexas.

Não deixe de discutir com sua equipe médica sobre as opções de tratamento disponíveis. Se a radioterapia foi indicada para você, deixo o convite para marcar uma consulta e conhecer meu trabalho!

Dra. Maria Thereza Starling

Rádio-Oncologista

CRM SP-186315 | RQE 99118

Dra. Maria Thereza Starling
CRM: 186315/SP
RQE: 99118 – Radioterapia


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