O que os Especialistas Dizem Sobre a Eficácia da Radioterapia em Gliomas?
Postado em: 05/08/2025
A Radioterapia pode ter papel fundamental no controle e no tratamento de gliomas, sendo amplamente recomendada nas principais diretrizes oncológicas.

A seguir, convidamos você a conhecer melhor esse tratamento, entendendo como ele funciona!
O que são gliomas?
Os gliomas são tumores cerebrais originados das células da glia, que compõem a estrutura de sustentação e proteção dos neurônios.
Eles representam o tipo mais comum de tumor cerebral primário em adultos e se dividem em diferentes subtipos, como astrocitomas, oligodendrogliomas e glioblastomas, variando em grau de agressividade.
Quando o diagnóstico envolve um glioma de grau mais elevado, como o glioblastoma multiforme, o tratamento exige uma abordagem combinada, com cirurgia, radioterapia e, em muitos casos, quimioterapia.
Segundo o National Comprehensive Cancer Network (NCCN), diversos estudos e Guidelines, a “Radioterapia” deve ser indicada para praticamente todos os pacientes com gliomas de grau II a IV após a cirurgia, especialmente quando há alto risco de recorrência local.
Nos glioblastomas, que são classificados como grau IV e considerados agressivos, a radioterapia combinada à quimioterapia com temozolomida constitui o padrão de tratamento inicial.
Como funciona a radioterapia para gliomas
O mecanismo de ação da radioterapia baseia-se na capacidade da radiação ionizante de danificar o DNA das células tumorais.
Como essas células possuem menor capacidade de reparo, acabam sendo destruídas com mais facilidade do que os tecidos normais ao redor.
A região cerebral, no entanto, é altamente sensível, o que exige precisão máxima no planejamento e na aplicação da radiação. Por isso, os tratamentos modernos utilizam técnicas avançadas de radioterapia, como a radioterapia de intensidade modulada (IMRT/VMAT), radiocirurgia (SRS) e radioterapia estereotáxica fracionada (SRT) que permitem moldar o feixe de radiação ao formato exato do tumor, protegendo as áreas cerebrais críticas, como por exemplo o tronco encefálico, os nervos ópticos e o hipocampo.
Nos gliomas de baixo grau, a indicação da radioterapia varia conforme a idade do paciente, o grau de ressecção cirúrgica e a presença de mutações genéticas específicas, como o IDH.
Nos casos onde o acompanhamento é possível, este pode ser feito com ressonância magnética periódica, sendo a radioterapia reservada para momentos de progressão.
Já em tumores como os oligodendrogliomas com co-deleção 1p/19q, a radioterapia é geralmente combinada à quimioterapia, proporcionando controle prolongado da doença com impacto positivo na sobrevida global.
A eficácia do tratamento com radioterapia
A eficácia da radioterapia em gliomas é bem documentada. Estudos randomizados multicêntricos mostram que, quando aplicada de forma adequada, ela contribui significativamente para a estabilização tumoral e para o alívio de sintomas como cefaleia, crises convulsivas e déficits neurológicos.
Em pacientes com glioblastoma, o tratamento permite uma melhora importante na qualidade de vida e uma extensão relevante da sobrevida mediana, especialmente quando associada a quimioterapia com Temozolamida e, quando recomendada, Tumor Treating Fields (TTF).
O tratamento com radioterapia é geralmente bem tolerado, mas pode apresentar efeitos adversos, que variam conforme o local irradiado, volume e as condições prévias do paciente.
Os sintomas mais comuns incluem fadiga, perda de apetite, náuseas, queda de cabelo localizada e, em alguns casos, alterações cognitivas leves.
Esses efeitos costumam surgir ao longo do tratamento e tendem a regredir após o término das sessões.
A neuroinflamação e o edema cerebral podem ocorrer em fases mais tardias e, quando presentes, são tratados com corticoides e acompanhamento neurológico.
Dada a complexidade do sistema nervoso central, o tratamento dos gliomas requer uma abordagem multidisciplinar.
Médicos radio-oncologistas, neurocirurgiões, oncologistas clínicos, fisiatras, psicólogos e neurologistas atuam de forma integrada, desde o diagnóstico até a reabilitação funcional.
O objetivo é não apenas combater o tumor, mas também preservar ao máximo as funções cognitivas, motoras e sensoriais, com foco na independência e bem-estar do paciente.
Terapias complementares, como reabilitação neuropsicológica, fonoaudiologia, fisioterapia e acompanhamento nutricional, têm se mostrado fundamentais no suporte a pacientes com gliomas.
Essas estratégias auxiliam na recuperação após a cirurgia, no controle dos efeitos da radioterapia e na adaptação a limitações neurológicas.
Além disso, o suporte emocional e o acompanhamento psicológico são essenciais para lidar com o impacto do diagnóstico e com as incertezas relacionadas à doença.
A decisão pela radioterapia no tratamento de gliomas
A decisão de iniciar a radioterapia, especialmente em tumores cerebrais, exige diálogo transparente entre paciente, familiares e equipe médica. Devem ser considerados o perfil molecular do tumor, a localização anatômica, o estado geral do paciente e as metas terapêuticas.
Com os avanços na tecnologia de imagem e nos sistemas de planejamento radioterápico, o tratamento dos gliomas tem se tornado cada vez mais seguro e eficaz.
A precisão no direcionamento da radiação, associada ao conhecimento molecular dos tumores, permite uma abordagem mais personalizada na radioterapia, aumentando as chances de controle tumoral com menos impactos adversos.
Se você recebeu uma indicação para o tratamento radioterápico, agende uma consulta! Venha conversar com a Dra. Maria Thereza e discutir as melhores opções para o seu caso.
Referência:
NCCN Guidelines – Central Nervous System Cancers (2024)
Rádio-Oncologista
CRM SP-186315 | RQE 99118
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Dra. Maria Thereza Starling
CRM: 186315/SP
RQE: 99118 – Radioterapia